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Menos de 1% do resíduo orgânico é tratado no país

Cerca de 51% dos resíduos sólidos urbanos coletados nas cidades brasileiras correspondem à matéria orgânica, o que dá 36,5 milhões de toneladas por ano. O dado é da última edição do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, publicado pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, Abrelpe.

Pois esta que é a maior parcela do lixo não tem tratamento adequado no Brasil. Poucos programas educativos difundem a informação e como fazer para mudar a situação.

Do total de resíduos sólidos domiciliares coletados em São Paulo, cerca de 6.120 toneladas de matéria orgânica por dia vão para aterros sanitários. Decompostas, geram 200 toneladas de gás metano, mais poluente que o CO2.

Os programas de tratamento de resíduos centram fogo em papel, alumínio, plástico e, em menor escala, vidro, pois estes materiais compõem as embalagens e a indústria e o comércio têm responsabilidade na sua recuperação e na não dispersão de recicláveis no meio ambiente.

Mas e as sobras de alimentos? Mesmo quem separa corretamente os restos em casa tem pouca ou nenhuma informação a respeito do que fazer com os resíduos orgânicos.

Os Bancos de Alimentos têm função importante, no reencaminhamento de material ainda bom para o consumo. Iniciativas pontuais, como as de compostagem de feiras e podas de São Paulo, e programas em escolas, como as são feitas em Ilhabela, são importantes mas ainda não atingem nem 1% do total gerado, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente recolhidos pela Abrelpe.

Segundo projeção da Abrelpe, a recuperação da fração orgânica no país teria o potencial de reduzir emissões de gases de efeito estufa correspondentes à retirada de 7 milhões de automóveis das ruas, com benefícios diretos para a saúde de 76 milhões de pessoas.

Em São Paulo, se fosse recuperada toda a matéria orgânica, já estaria resolvida metade da meta de redução de emissões da Política Municipal de Mudanças Climáticas, de acordo com esta projeção .

“O potencial de aproveitamento e recuperação da matéria orgânica já acontece em outros países do mundo. Envolve tanto soluções de baixo custo, como a compostagem, como soluções tecnológicas avançadas com geração de energia limpa e renovável, como a biodigestão”, diz Carlos Silva Filho, diretor da entidade.

“A boa gestão da fração orgânica incentiva a redução do desperdício de alimentos, pois estimula a separação e a reciclagem de materiais descartados e contribui para diminuir as emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa) decorrentes da decomposição desses resíduos”, afirma.

Está em fase avançada de estudo de viabilidade técnica e financeira a construção de um Ecoparque em São Paulo, com capacidade recebimento de 10% do total coletado nos domicílios da cidade. Já foi designado o terreno, na zona Sul, e há um acordo da prefeitura com a Coalização do Clima e Ar Limpo (CCAC, na sigla em inglês).

Não há prazo para o início das obras e nem para a sua conclusão. Depois de finalizadas as sugestões de rotas tecnológicas, caberá à Amlurb (ente de administração da limpeza urbana) bater o martelo e na sequência seriam captadas verbas para a construção.

O Ecoparque teria capacidade de receber diariamente 1.200 toneladas dos chamados resíduos indiferenciados, aqueles em que não houve nenhuma segregação. Esse material passaria primeiro por um processo de separação dos recicláveis e depois pelo tratamento de orgânicos.

O processo não está definido, segundo Silva Filho. Ele afirma que serão priorizados “tratamentos biológicos e não os térmicos”. Isso quer dizer que não seria usada incineração, uma tecnologia combatida pelos ambientalistas, por desperdiçar o recurso que poderia virar insumo e ainda por cima gerar poluição. Provavelmente alguma forma de biodigestão, para geração de biogás, afirma o dirigente.

Se sair do papel com esta capacidade, o Ecoparque estaria entre os 10 maiores do mundo. Nessa categoria estão os que podem receber de 800 a 1.500 toneladas por dia.

A iniciativa é bastante importante. Mas vai em direção diferente do que costuma ser indicado como passo fundamental e inicial para  o avanço do aproveitamento dos orgânicos: separar os resíduos domiciliares na fonte em três frações.

As três frações são os recicláveis, os orgânicos e os rejeitos (o que não é passível de reciclar ou aproveitar de forma biológica). Só os rejeitos deveriam ir para aterros sanitários, isso já segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos, de 2010.

Fonte: Folha de S. Paulo.

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