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Banco deverá reportar impacto do clima em sua carteira

Os impactos das mudanças climáticas para o setor financeiro e a estabilidade da economia global já começam a ser computados. Os cenários de aquecimento global podem colocar sob risco entre US$ 4,2 trilhões e US$ 43 trilhões em razão do aumento das temperaturas até 2100, segundo um estudo da Economist Intelligence Unit.

Para antever e mitigar riscos para a economia global, o Conselho de Estabilidade Financeira (FSB, na sigla em inglês) publicou em 2017 um conjunto de recomendações para que empresas e setor financeiro divulguem informações sobre os impactos das mudanças climáticas em seus negócios. A iniciativa foi encabeçada pelo empresário e ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg e já engajou 580 organizações globais, entre bancos, seguradoras e bolsas de valores. Agora, será disseminada no Brasil pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

O FSB é um braço operacional para assuntos financeiros do G20 e reúne presidentes dos bancos centrais, ministros da fazenda, organismos multilaterais como FMI, Banco Mundial e Comitê da Basileia. Seu papel é de monitorar e promover a estabilidade do sistema financeiro global e criou, em 2015, uma força-tarefa para estimular a transparência das informações financeiras relacionadas às mudanças climáticas, que envolveu bancos, fundos de pensão, gestores de recursos, seguradoras, agências de classificação de risco e firmas de auditoria.

Após publicar as recomendações, a força-tarefa estabeleceu um prazo de cinco anos, a partir de 2017, para que fossem incorporadas pelas instituições financeiras e outras empresas.

No Brasil, a Febraban dará apoio aos bancos na apresentação das informações. Na semana passada, a entidade divulgou um roteiro e duas ferramentas técnicas para facilitar a tarefa. “Os bancos terão o desafio de analisar suas carteiras e portfólios de investimento à luz de cenários climáticos e traçar estratégias de médio e longo prazo”, afirma Mário Sérgio Vasconcelos, diretor de sustentabilidade e marketing da Febraban.

Entre as ferramentas, desenvolvidas a quatro mãos em parceria com a consultoria Sitawi Finanças do Bem, está uma régua de sensibilidade às mudanças climáticas, que permitirá aos bancos conhecer o quanto sua carteira de clientes está exposta aos impactos do aquecimento global.

Segundo Gustavo Pimentel, diretor da Sitawi, o modelo contempla diferentes perfis de instituições, desde bancos de atacado que financiam projetos de infraestrutura até bancos de varejo cujos principais clientes são micro e pequenas empresas. “Há diferentes graus de sensibilidade às questões climáticas. À medida que o banco entende a exposição do seu negócio, pode tomar medidas proporcionais de gestão de riscos”, diz.

A segunda ferramenta correlaciona as recomendações da força-tarefa do FSB a outras estruturas de prestação de informação às quais os bancos já reportam – como os questionários dos índices de sustentabilidade da B3 e da Dow Jones e os relatórios no formato Global Reporting Initiative (GRI). A expectativa da Febraban é que as duas ferramentas ajudem as instituições financeiras a ser mais eficientes na prestação de contas.

Entre os bancos brasileiros que começaram a testar as recomendações da força-tarefa do FSB estão Itaú Unibanco e Bradesco, que participaram de um piloto com outros 13 bancos internacionais no âmbito do programa de finanças sustentáveis da ONU. “Uma das tarefas foi aplicar teste de stress nas carteiras de agronegócio para medir o impacto das mudanças climáticas para a qualidade do crédito”, diz Rafael Mol, especialista de risco socioambiental no Itaú.

Foram realizados dois estudos de caso com 130 clientes produtores rurais, com R$ 4 bilhões em carteira e levando-se em conta cenários de aquecimento global entre 2 °C e 4 °C até 2040. As modelagens mostraram que os impactos foram mais significativos no setor de pecuária bovina, enquanto o setor de açúcar e álcool tiveram menos perdas – mas de modo geral, nenhum cliente se beneficiou das mudanças climáticas.

Fonte: Valor.

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